Esta página nasceu no final de 2005 com o intuito de estimular
o desenvolvimento da cultura cervejeira artesanal no Brasil, visando disponibilizar
informações que pudessem ser úteis para os interessados nessa cultura, como dicas
para fabricação e uma extensa coleção de
links relevantes.
A página nasceu da minha própria experiência na fabricação de cerveja
artesanal caseira, adquirida a partir de 2004. A minha primeira leva, na
verdade, foi em 1999, com um kit de 5 litros, mas a produção regular
só começou em 2004, dando início à Cervejarte, a minha marca
para as cervejas da minha produção.
Logo depois da construção desta página, em conjunto com pessoas com
interesses semelhantes, demos início a encontros regulares, regados
principalmente a cerveja artesanal de fabricação nossa. Esse grupo se
configurou como a semente da
ACervA
Carioca, a Associação de Cervejeiros Artesanais Cariocas,
do qual sou sócio fundador e, atualmente, parte da Diretoria.
Agora, os links que constavam na página da Cervejarte foram
transferidos para a página da ACervA Carioca, que tem uma
abrangência e uma inserção bem maiores, podendo cumprir melhor
esse papel de incentivador desse cultura.
No entanto, isso não invalida a disponibilização de informações
nesta página da Cervejarte, onde tenho mais liberdade e flexibilidade
de disponibilizar informações de um ponto de vista próprio.
E de maneira geral, por que me dedicar a esta empreitada?
Porque apesar da grande quantidade de informações disponíveis
em livros estrangeiros e páginas estrangeiras
na internet, há pouca informação em português e adequada à
realidade brasileira. E, também, porque ainda estamos restritos
a uma pequena oferta de tipos diferentes de cerveja e de matéria-prima para
a fabricação artesanal, e o desenvolvimento dessa cultura pode aumentar
significativamente essa oferta.
A cerveja
Pílsen, originária da República Tcheca e líder
de mercado em quase todo o mundo, é apenas uma entre dezenas de
estilos diferentes de cerveja. Ela se enquadra na classe de cervejas
de baixa fermentação (chamadas tecnicamente de
lager),
produzidas por um fermento cervejeiro com certas características
específicas, uma delas, a de produzir um aroma mais "limpo".
Outras cervejas nessa classe, conhecidas no mercado brasileiro,
são a
Bock e a
Schwarzbier (ou cerveja preta,
e.g. Malzbier, Caracu).
Há, no entanto, outras cervejas de baixa fermentação deliciosas que
ainda não estão disponíveis facilmente no Brasil, como as tradicionais
Doppelbock, Vienna, Märzen e
Oktoberfest,
especialidades alemãs, um dos países de maior tradição na fabricação
de cervejas de baixa fermentação.
E saindo da baixa fermentação, temos uma gama muito maior de cervejas
de fermentação "alta" (chamadas tecnicamente de
ale), produzidas
por um fermento cuja característica fundamental é a de gerar uma
variedade maior de aromas deliciosos. As
ales são muito mais
antigas que as
lagers e são tradicionais na Grã-Bretanha e na
pequena Bélgica, que é um verdadeiro paraíso para os amantes da cerveja,
pela diversidade de cervejas de excelente qualidade.
Como exemplos de
ales temos
Pale Ale, Bitter,
India Pale Ale, Mild Ale, Brown Ale, Porter, Stout, Scotch Ale,
Belgian Pale Ale, Flanders Brown Ale, Flanders Red Ale, Saison,
Trappist e
Abbey.
Há, ainda, as cervejas de trigo, tradicionais na Alemanha e na Bélgica.
Apenas recentemente começamos a ter acesso a cervejas diferenciadas,
fugindo da massificação dos grandes produtores industriais. Mas essa
oferta ainda é bem modesta.
O desenvolvimento da cultura cervejeira artesanal no Brasil pode ampliar
a gama de estilos de cerveja a que temos acesso e a oferta de matéria-prima
para a fabricação caseira. Mesmo dentro de cada estilo, a quantidade de
cervejas com aromas e sabores diferentes pode ser imensa.
E o grande barato é que essas cervejas podem ser produzidas artesanalmente,
em pequena escala, em casa ou em apartamento, sem equipamentos sofisticados.
Para dar uma idéia de onde vem a variedade de estilos e tipos
de cerveja, podemos começar lembrando dos ingredientes básicos para
a fabricação de cerveja: água, malte de cevada, fermento cervejeiro
e lúpulo. A cevada é um cereal parecido com o trigo, o milho e o arroz.
O malte de cevada é o grão da cevada depois de sofrer um processo de
germinação interrompida controlada, no intuito de desenvolver enzimas
necessárias para o amido do grão ser posteriormente quebrado em açúcar,
que servirá de alimento para o fermento. O fermento é um fungo, que se
alimenta de certos tipos de açúcar e, a medida que processa o açúcar,
produz álcool e outros elementos químicos que conferem aromas
e sabores diversos. O lúpulo é uma flor que dá um sabor
amargo usado para contrabalançar o doce do açúcar residual na cerveja, que
o fermento não consumiu, e que também pode ser usado para conferir
aromas diversos.
O malte é produzido a partir de dois tipos de cevada (o de dois e
o de seis grãos) e o processo de malteação pode levar a vários tipos
de malte (pílsen, pale ale, munique, viena, cristal, chocolate,
etc.). Os fermentos são classificados entre
ale
e
lager, mas cada um desses tipos possui uma infinidade de
cepas diferentes. O pH da água, a sua dureza e os minerais
presentes também afetam o resultado final. E há dezenas
de tipos diferentes de lúpulo. Daí a imensa variedade
de cervejas a serem produzidas e degustadas! E além da cevada,
podemos adicionar trigo maltado ou não maltado, milho, arroz,
aveia, cada um deles tostado ou não. E para resultados mais
exóticos, podemos, ainda, adicionar temperos, mel e frutas,
por exemplo. Isso só em termos de ingredientes. O processo
de fabricação, em si, envolve o cozimento dos cereais
para quebrar o amido em açúcar e em outros elementos que
conferem sabor e corpo à cerveja; a fervura desses elementos
com o lúpulo, para extrair o amargo deste; e
a inoculação do fermento. As possibilidades são
inúmeras.
E como produtores caseiros, não temos a obrigação
de reproduzir a mesma cerveja sempre, que é a parte mais delicada
enfrentada pelos produtores industriais e até microcervejarias (normalmente,
levas diferentes de cerveja são misturadas para que uma certa
uniformidade seja alcançada). Assim,
podemos experimentar diversas receitas e saborear inúmeras
cervejas. Fora a diversão de compartilhar isso com os amigos
e de formar grupos apaixonados por fabricar ou apenas saborear
essas cervejas. Vamos incentivar essa cultura!
Abraços cervejeiros,
Ricardo
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2007
Para servir de histórico, segue abaixo a carta de apresentação inicial,
de dezembro de 2005.
A idéia com esta página é estimular o desenvolvimento da cultura
cervejeira artesanal no Brasil. Pretendo disponibilizar informações
que possam ser úteis para os interessados nessa cultura, como dicas
para fabricação e links para fornecedores e outras páginas
relevantes.
Incentivo todos a enviarem contribuições com informações sobre cerveja
artesanal para serem disponibilizadas nesta página.
Este é um projeto "aberto à comunidade", onde todos podem contribuir
e aprender com a contribuição dos outros. De minha parte, começo
disponibilizando uma espécie de calculadora cervejeira (CalculArte,
no menu acima), para ajudar na elaboração de receitas e na análise
do resultado. Incluo, também, dicas que colhi de vários livros
especializados, de páginas da internet e da minha recente (e ainda pouca)
experiência.
Por que fazer isso? Porque apesar da grande quantidade de
informações disponíveis em livros estrangeiros e páginas estrangeiras
na internet, há pouca informação em português e adequada à
realidade brasileira. E, também, porque ainda estamos restritos
a uma pequena oferta de tipos diferentes de cerveja e de matéria-prima para
a fabricação artesanal, e o desenvolvimento dessa cultura pode aumentar
significativamente essa oferta.
A cerveja Pílsen, originária da República Tcheca e líder
de mercado em quase todo o mundo, é apenas uma entre dezenas de
estilos diferentes de cerveja. Ela se enquadra na classe de cervejas
de baixa fermentação (chamadas tecnicamente de lager),
produzidas por um fermento cervejeiro com certas características
específicas, uma delas, a de produzir um aroma mais "limpo".
Outras cervejas nessa classe, conhecidas no mercado brasileiro,
são a Bock e a Schwarzbier (ou cerveja preta,
e.g. Malzbier, Caracu).
Há, no entanto, outras cervejas de baixa fermentação deliciosas que
ainda não estão disponíveis facilmente no Brasil, como as tradicionais
Doppelbock, Vienna, Märzen e Oktoberfest,
especialidades alemãs, um dos países de maior tradição na fabricação
de cervejas de baixa fermentação.
E saindo da baixa fermentação, temos uma gama muito maior de cervejas
de alta fermentação (chamadas tecnicamente de ale), produzidas
por um fermento cuja característica fundamental é a de gerar uma
variedade maior de aromas deliciosos. As ales são muito mais
antigas que as lagers e são tradicionais na Grã-Bretanha e na
pequena Bélgica, que é um verdadeiro paraíso para os amantes da cerveja,
pela diversidade de cervejas de excelente qualidade.
Como exemplos de ales temos Pale Ale, Bitter,
India Pale Ale, Mild Ale, Brown Ale, Porter, Stout, Scotch Ale,
Belgian Pale Ale, Flanders Brown Ale, Flanders Red Ale, Saison,
Trappist e Abbey
Há, ainda, as cervejas de trigo, tradicionais na Alemanha e na Bélgica.
Apenas recentemente começamos a ter acesso a cervejas diferenciadas,
fugindo da massificação dos grandes produtores industriais. Nesse ponto,
destaco a microcervejaria Baden Baden, de Campos do Jordão,
além da Schmitt, de Porto Alegre, e a Eisenbahn, de Blumenau; todas
com produtos de ótima qualidade. Mas essa oferta ainda é bem modesta.
O desenvolvimento da cultura cervejeira artesanal no Brasil pode ampliar
a gama de estilos de cerveja a que temos acesso e a oferta de matéria-prima
para a fabricação caseira. Mesmo dentro de cada estilo, a quantidade de
cervejas com aromas e sabores diferentes pode ser imensa.
E o grande barato é que essas cervejas podem ser produzidas artesanalmente,
em pequena escala, em casa ou em apartamento, sem equipamentos sofisticados.
Para dar uma idéia de onde vem a variedade de estilos e tipos
de cerveja, podemos começar lembrando dos ingredientes básicos para
a fabricação de cerveja: água, malte de cevada, fermento cervejeiro
e lúpulo. A cevada é um cereal parecido com o trigo, o milho e o arroz.
O malte de cevada é o grão da cevada depois de sofrer um processo de
germinação interrompida controlada, no intuito de desenvolver enzimas
necessárias para o amido do grão ser posteriormente quebrado em açúcar,
que servirá de alimento para o fermento. O fermento é um fungo, que se
alimenta de certos tipos de açúcar e, a medida que processa o açúcar,
produz álcool e outros elementos químicos que conferem aromas
e sabores diversos. O lúpulo é uma flor que dá um sabor
amargo usado para contrabalançar o doce do açúcar residual na cerveja, que
o fermento não consumiu.
O malte é produzido a partir de dois tipos de cevada (o de dois e
o de seis grãos) e o processo de malteação pode levar a vários tipos
de malte (pílsen, pale ale, munique, viena, cristal, chocolate,
etc.). Os fermentos são classificados entre ale
e lager, mas cada um desses tipos possui uma infinidade de
cepas diferentes. O pH da água, a sua dureza e os minerais
presentes também afetam o resultado final. E há dezenas
de tipos diferentes de lúpulo. Daí a imensa variedade
de cervejas a serem produzidas e degustadas! E além da cevada,
podemos adicionar trigo maltado ou não maltado, milho, arroz,
aveia, cada um deles tostado ou não. E para resultados mais
exóticos, podemos, ainda, adicionar chocolate, mel e frutas,
por exemplo. Isso só em termos de ingredientes. O processo
de fabricação, em si, envolve o cozimento dos cereais
para quebrar o amido em açúcar e em outros elementos que
conferem sabor e corpo à cerveja; a fervura desses elementos
com o lúpulo, para extrair o amargo deste; e
a inoculação do fermento. As possibilidades são
inúmeras.
E como produtores caseiros, não temos a obrigação
de reproduzir a mesma cerveja sempre, que é a parte mais delicada
enfrentada pelos produtores industriais (normalmente, levas
diferentes de cerveja são misturadas para que uma certa
uniformidade seja alcançada pelas cervejarias). Assim,
podemos experimentar diversas receitas e saborear inúmeras
cervejas. Fora a diversão de compartilhar isso com os amigos
e de formar grupos apaixonados por fabricar ou apenas saborear
essas cervejas. Vamos incentivar essa cultura!
Abraços cervejeiros,
Ricardo
Rio de Janeiro
Dezembro de 2005